
Confira a Sinopse do carnaval 2011 da Coroa Negra .
"A Coroa mata a cobra e mostra o pau! Em cartaz: A Pornochanchada Nacional!"
Sinopse:
- Paixão? Humor? Sedução? Comédia?
- É pornô ou é chanchada?
Falam de mim sem conhecer minha verdadeira identidade.
Hoje, coroada como rainha, venho contar minha história.
Sou a Pornochanchada.
Sou a dama do submundo, onde seus sonhos mais íntimos se tornam realidade.
Sou o fogo do amor que arde no peito refletido numa tela de cinema.
Nasci em São Paulo. Boca do Lixo. "Soberana" capital da sacanagem cinematográfica.
Minhas primeiras filhas? Damas da noite.
Mulheres que viam no cinema da Boca uma oportunidade.
Mulheres que lutavam pela vida. Maliciosas. Personagens do seu próprio destino.
Sob a luz vermelha brilham as estrelas dos cabarés.
Me despertaram. As telas do Brasil fui conquistar.
O tapete vermelho se abriu aos meu pés. Me tornei musa. Rainha do povo.
A diva do cinema brasileiro nos anos 70.
Ganhei "paqueras" e amores. Amantes e admiradores.
Nelson Rodrigues, anjo cúmplice de uma paixão inabalável.
Já fui "selvagem", "engraçadinha" e tive "dois maridos". Porém vulgar, nunca!
Uma "super fêmea"! "Dama do lotação" ou dama de um "preto fuscão".
"Amor, estranho amor", o que você tem a oferecer?
O desejo? A volúpia? Ou uma lua recheada de mel e prazer?
1964. Matar a cobra e mostrar o pau. A verdade deve ser dita. Dura como ela é.
Sofri repressões, críticas e proibições. Mas sobrevivi.
Entrei no jogo do morde e assopra. Governavam com força e flores.
A censura era estimulada até atingir os interesses da batuta do governo militar.
Eu sabia contornar as regras. Rebolava com metáforas e criatividade.
Minha comédia quase erótica desviava a atenção do povo.
Prazer e imaginação contra o rígido padrão.
Novos tempos estavam por vir. Democracia! Fim da censura! As grades se abrem!
A cultura ganha liberdade! Mas, ao mesmo tempo, meu fim era decretado...
Crise econômica... Falta de restrições... A pornografia invadia as fronteiras.
Os filmes eróticos roubaram meu público. Meus fieis companheiros me abandonaram.
O povo me esquecia. Meu coração se quebrou.
Um sonho de sensualidade e insinuação em mil pedaços de amor...
Texto de Gabriel Haddad
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