terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A Coroa tá maluca...



Alô família Alvinegra!

Eis a sinopse do enredo que levaremos para o carnaval 2012...

Os compositores deverão mandar seus sambas para o e-mail: coroa.negra@yahoo.com.br até o dia 15/03/2012 - o anexo deve conter audio e letra do samba.

"E deu a louca na Coroa..."

Justificativa:

O GRESV Coroa Negra traz para o desfile da Virtuafolia, em 2012, o enredo “E deua louca na Coroa...”. Em uma fábula da história da vinda da família real para o Rio de Janeiro, o enredo é conduzido pelos olhos de Dona Maria I, e baseado, portanto, em seus delírios, já que era considerada uma rainha louca e insana. Durante a transferência da corte portuguesa para o Brasil, a nau que conduzia Dona Maria sofre com uma tempestade e torna-se uma máquina do tempo, fazendo-a desembarcar no Rio de Janeiro em 2012. Muito além de sua época, a rainha transmite a sua visão, mesclando realidade e imaginação, sobre o diferente Brasil que encontrou. O título faz uma citação ao enredo da Mangueira de 1990, “E deu a louca no barroco”, já que contou a história de Sinhá Olympia, rainha das ruas de Ouro Preto e também considerada louca pelos habitantes da região.

Sinopse:

Eu, Dona Maria, por graça de Deos, Raynha do Reino Unido de Portugal e Algarves, d’Aquem e d’Alem Mar, em África, senhora da Guiné e da Conquista e Navegação do Comercio da Ethiópia e Arabia Percia e da India, etc.
Faço saber aos meus súbditos que algo de grande estranheza há ocorrido em nossa viagem a Brasil. Faço-me jurar que estas terras não seguem os relatos que hão sido enviados a Lisboa. Ai Jesus, esqueçamos as formalidades, porque estou deveras preocupada! Falam que estou louca, caduca, desvairada. Mas tudo que eu vou a falar, ora pois, é a mais pura verdade. Acreditem!
Começo a contar desde os tempos que meu João era simplesmente
um menino. E papai... Ah, quando papai foi aos céus, subi ao trono e passei a botar ordem em nosso país com o orgulho que tenho de meu brasão real!
Estávamos a viver nos arredores de Lisboa, no Palácio de Queluz. Eu sabia dos burburinhos que corriam por toda a cidade, me chamavam de louca, oh pá! Admito que eu via o que os outros não viam. Que eu ouvia o que não ouviam. Mas louca eu não sou! Eu apenas via carruagens de fogo cruzando os nossos jardins, puxadas por imensos cavalos vermelhos, verdadeiros demônios! Eu ouvia o tilintar dos grandes lustres durante a madrugada! Ai Jesus, eram fantasmas! Eu tenho certeza de que o Palácio era assombrado!
Eu vi mortes. Vi a Revolução Francesa. Vi Napoleão. Que desespero, eu estava com os azeites! Jesus, Maria, José! Quando fui praticamente enxotada de meu trono, meu João já era um rapazote e pôde assumir o poder para comandar todo Portugal.
Os tricotes dos bilhardeiros estavam por se confirmar. As tropas francesas de Napopô vinham a todo vapor para nosso país e estavam a nos deixar de cabelo em pé! Num dia de sol em Lisboa, lá pelo fim de 1807, a cidade acordou fervilhando! Me arrancaram de Queluz e me conduziram à nau Príncipe Real. Espírito Santíssimo, espero que não tenham percebido que estávamos a fugir! Meu Portugal foi ficando ao longe... Eu estava a ser levada ao inferno! À terrível floresta chamada Brasil!
Eu estava a ver apenas o horizonte... Os dias eram lentos... Mas, numa noite, por perto de Madeira, uma tempestade nos abocanhou! Eu olhava pela escoltilha e via um imenso dragão sacudir nossa embarcação! Ondas enormes nos engoliam! Foi quando a nau começou a girar... Girar... Senti o tempo passando... Se esvaindo pelo mar... Relógios e ampulhetas se esbarravam em minha mente! Ai Jesus, o que estava a acontecer?!
Só sei que eu dormi, oh pá! Fui acordar quando a nau estava a ser ancorada. Olhei pr’aquela terra e vi meus medos rasgarem a pele! Onde está floresta, ora pois? Onde estão os animais ferozes e comedores de gente?! Eu só estava a ver pedras! Mais parecia uma selva acinzentada! Carruagens se movendo sozinhas, sem cavalos! Um grande escrito à minha frente dizia: “Obras do Porto
Maravilha”! O que será isso, Jesus?! Não estava a entender absolutamente nada!
Fui recebida por meu Joãozinho, meus netos e Carlota. Todos empolgados, me conduziram a nossa nova casa! O bairro imperial de São Cristovão até que era simpatiquinho... Fiquei com a pulga atrás das orelhas quando vi a decoração do palácio! Dinossauros! Múmias!Comecei a rezar! Passeando pelos arredores da Quinta, na quinta, mais estranhezas me apareciam! Bichos enjaulados, uma dança chamada “for all”! Até Vasco da Gama estava por lá! Já começava a acreditar em minha doidera!
Durante o passeio, recebi um pequeno papel de procedência duvidosa... O tal solicitava presença para o baile de coroação da rainha do funk, no Castelo das Pedras! Não sei o que é funk, oh pá, mas a rainha sou eu! Entrei numa daquelas carroças automáticas, apinhada de gente! Já era noite quando estava a chegar no luxuoso castelo de pedras! Ao ver o lugar, fiquei desesperada! Era o inferno! Eu sabia que o inferno era aqui! Luzes piscando, música às alturas, demônios vagando! As raparigas rebolavam em frenesi!
Novamente desmaiei pelo desespero! Fui me recompor já ao nascer do dia. Carregaram-me a uma tal de “Coca Bacana”, ou algo parecido. Ah, que praia linda, oh pá! Fui logo a arrancar as minhas vestes! Um banho de mar bastante renovável! Começo a descobrir o verdadeiro Brasil... Não é floresta, nem é inferno! É o paraíso! Passei o dia naquela praia, e, pela noite, pedi para conhecer mais o Éden brasileiro. Hão me levado a Lapa! Que maravilha! Estava a ser apresentada a tal da boemia, ao suco de cevada. Jesus Amado, enlouqueci de vez!
Em meio a toda festa, avistei um grupo bastante animado! Aproximei-me. Vi um papagaio, um que parecia um anão, outro um morto. Outro de dourado, esbravejando: a taça é minha! Que soberbo, ora pois! Jesus, Maria, José! Eles são tão loucos quanto eu! Logo se apresentaram como o grupo da Virtuafolia! Ouvi eloquentes histórias que até Pombal tremeria! Esse tal de carnaval virtual é algo que vai muito além de minha imaginação! A Coroa que conheci por lá, há sido deveras simpática, e convidou-me a participar como homenageada de um desses desfiles! Duas rainhas, juntas! Estava maravilhada, oh pá!

Fieis amigos bigodudos! É hora de me despedir! A grande
homenagem a minha pessoa está prestes a começar!

Duas Coroas, unidas, fortes!
Quem foi rainha, nunca perde a malandragem!

Gabriel Haddad
Carnavalesco

Setorização:

Abertura – A vida no Palácio de Queluz
2º Setor – Um adeus a Portugal! A louca
viagem para o Brasil
3º Setor – A Chegada! Entre a floresta
e o... Porto Maravilha?!
4º Setor – Um novo lar: A “Nova” Quinta
da Boa Vista
5ºSetor – Um baile pra Rainha! Bem-vindos ao
inferno!
6ºSetor – Banho de mar e alegria! Muito
prazer, boemia!
7ºSetor – O encontro das Coroas! Um carnaval
além da imaginação!

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